12 de fevereiro de 2014

Arte de morrer

Por muito tempo conservei uma ideia: o medo da morte. Um tanto persistente.
Tentando mergulhar na profundidade do que é o "ser", improvável seria não questionar seu oposto. E mal conhecemos qualquer um. E, mal conhecendo, nem mesmo sabemos o que seria o conhecer.

Imaginava o escuro, preto. Sem fim. Distante, comprido, terrível como nada. Simplesmente o "nada", o famoso. E, então, vem o medo por, na verdade, não conseguir imaginar. Vem o terror em ser limitado (e "ser", de novo).
Nada.

Mas não há forma de escapar quando o temor é só uma cortina, e não uma fuga.

Entendi e andei pensando que respirar cansa, porque cansa respirar o mesmo ar que tanta gente. Às vezes da vontade de não ter mais que aceitar e engolir besteira, muito menos, propagar qualquer coisa.
Talvez eu goste do descansar, caso exista o descanso. Creio na hipótese de vida como um estado fixo e, assim, apenas na "morte" corporal. Mesmo assim, a morte deve ser especial.
Talvez simplesmente tenha compreendido que caminhamos para ela: inevitavelmente de braços abertos para um dos abraços mais apertados...



7 comentários:

  1. Texto de beleza singular, impossível não raciocinar sobre suas ideias sobre o tema em questão. O final? Brutal e divino - combinação difícil de encontrar em crônicas cotidianas.

    Obrigado pela leitura.

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  2. Não tenho medo da morte, mas tenho medo de como ela vai chegar. Tenho fé, mas ainda assim tenho medo do depois. Tenho medo da forma que tudo vai acontecer e quando vai acontecer; de fato, a vida é complexa de modo que a morte é mais ainda. Portanto, ás vezes é melhor nem procurar entender. Beijos, Light As The Breeze

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  3. Faz muito tempo que não leio um texto que me chamasse tanta a atenção como o seu me chamou. Você escreve muito bem...
    Este final me tocou muito.
    Beijos, beijos e seguindo!

    Dearitgirl.blogspot.com.br

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  4. Um mimo, bem delineada cada linha, cada momento, adorei viajar, delirar com vc, como nesta frase, _Talvez eu goste do descansar, caso exista o descanso...Adorei e dxo pra guria beijinhos e beijinhos.

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  5. Eu tenho tanto medo da morte que não consigo ver nem o descanso eterno como ponto positivo. Se eu pudesse optar por ser eterna com toda a certeza escolheria isso.

    http://www.novaperspectiva.com/

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  6. Eu tenho medo da morte, mas ao mesmo tempo penso que ela é a única paz que eu vá sentir, sabe? Sei lá, é difícil de explicar. Só sei que concordo com o que você disse, a morte tem que ser especial, um momento só. Enfim, gostei do texto!

    Bitocas!
    www.likeparadise.com.br

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  7. Eu não tenho medo da morte igual todo mundo, mas nunca parei pra imaginar como sera depois que eu morrer.
    Texto fantastico Dani.

    Beijo

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Críticas são sempre bem vindas, comentem a tragédia (ou não).