12 de fevereiro de 2014

Arte de morrer

Por muito tempo conservei uma ideia: o medo da morte. Um tanto persistente.
Tentando mergulhar na profundidade do que é o "ser", improvável seria não questionar seu oposto. E mal conhecemos qualquer um. E, mal conhecendo, nem mesmo sabemos o que seria o conhecer.

Imaginava o escuro, preto. Sem fim. Distante, comprido, terrível como nada. Simplesmente o "nada", o famoso. E, então, vem o medo por, na verdade, não conseguir imaginar. Vem o terror em ser limitado (e "ser", de novo).
Nada.

Mas não há forma de escapar quando o temor é só uma cortina, e não uma fuga.

Entendi e andei pensando que respirar cansa, porque cansa respirar o mesmo ar que tanta gente. Às vezes da vontade de não ter mais que aceitar e engolir besteira, muito menos, propagar qualquer coisa.
Talvez eu goste do descansar, caso exista o descanso. Creio na hipótese de vida como um estado fixo e, assim, apenas na "morte" corporal. Mesmo assim, a morte deve ser especial.
Talvez simplesmente tenha compreendido que caminhamos para ela: inevitavelmente de braços abertos para um dos abraços mais apertados...