12 de janeiro de 2014

(Amor)eno.

"a rosa pra ser rosa, precisa de sereno;
o amor pra ser amor, precisa ser moreno."

Precisa ser moreno como o frio que vem com o entardecer, que não é maior do que o frio que se sente no estômago pela primeira vez. No crepúsculo é a vontade de se esconder do mundo e deitar de costas sobre a relva, ao lado da barraca que montamos ao amanhecer, pra espiar o alô mais moreno que a escuridão da noite vem pra dar. 

E, quando fica escuro, a fogueira aquece a comida, aquece a canção dos amigos e, depois, o corpo de quem fica junto na madrugada, que também é muito morena. 
O silêncio que sobra é o ruído harmonioso da natureza, servindo de trilha sonora para os que ainda cochicham e dividem o calor de um longo abraço depois que o fogo se apaga. Daí, moreno mesmo é puxar um cobertor e se encaixar dentro da barraca. Logo o sol avisa que quer nascer e vai, de mansinho, despertando quem ainda tem energia pra se encantar.

Enfim, aparece esse moreno no horizonte, iluminando o cenário de uma peça que não pretende acabar. Os olhos, que timidamente se abrem, são de todas as cores do mundo e sorriem sozinhos. Alegram-se ao lembrar que agora, num riso só, guardam a lembraça de tantos amores. Os mais morenos amores. 

Moreno não é "deixar pra lá", moreno é saber se libertar.