3 de novembro de 2013

Das desventuras minhas

(I)

- Mas a gente chegou aqui antes... - eu disse.
Aquela menina grande, de cabelo preto, da 4ª série, olhou bem pra mim:
- Se enxerga, dentuça!

Provavelmente era fim de tarde e eu e uma amiga brincávamos de amarelinha no pátio, até que aconteceu. Eu tinha só 7 ou 8 anos, mas ainda me lembro muito bem. Lembro de ser curioso como qualquer pessoa mais velha parecia sempre muito maior, mais forte e mais inteligente. Talvez, por isso mesmo, elas não devessem se levantar contra ninguém mais vulnerável: os estragos podem ser grandes. É que a gente acredita que elas sempre tem razão...

Pena ser tratada dessa forma. Os tempos de escola guardam muitas lembranças ruins, muita maldade alheia... E, mesmo sabendo que eram apenas crianças, as heranças da insegurança ainda perambulam por aqui. Sei que se não fosse por isso (e mais tantas outros infortúnios) não teria conseguido me moldar tão resistente como sou hoje, só que não foi fácil engolir tanta coisa (e tanta lágrima).

Se eu pudesse encontrar a menina da 4ª série hoje em dia, diria que usei um aparelho móvel horrível por um ano, aparelho fixo por mais ou menos 5 e freio de burro pra dormir. Contaria que tenho certeza que meus dentes tem um tamanho normal e que, depois de tanto tempo tirando fotos sérias (e as escondendo do mundo) não tenho mais vergonha nenhuma de sorrir! Não que ela pudesse, em qualquer situação da vida, ter qualquer coisa a ver com isso, ou pudesse entender quão difícil foi, mas é bom lembrar que já passou...



7 comentários:

  1. Nossa, com certeza muita coisa que me aconteceu no meu período de escola acabou moldando bastante meu caráter. Coisas ditas num tom de brincadeira acabaram tornando-se marcos que não esqueço até hoje, alguns bons, outros nem tanto.

    Ps. Gostei muito daqui! Parabéns pelo seu espaço. Me identifiquei bastante com tua definição no perfil, já que também estudei música e amo artes!

    Um beijo,
    Jhosy

    http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/

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  2. "Sei que se não fosse por isso (e mais tantas outros infortúnios) não teria conseguido me moldar tão resistente como sou hoje, só que não foi fácil engolir tanta coisa (e tanta lágrima)."

    E como é resistente viu, você sabe que é por isso e outras coisas que te admiro tanto.
    Ah essas pessoas que passam na nossa vida deixando traumas, sempre vai ter uma pra cada fase da vida. E sempre vamos sair mais fortes delas.
    E quanto a insegurança, mande-a embora, xô!

    Beijos

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    1. Isso aí, Ari! Nunca vamos conseguir ficar livres de pessoas-problema, mas podemos conseguir lidar cada vez melhor com essas situações ;)

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  3. Por um instante, voltei ao fundamental :)

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  4. Sempre acontece, né? Bom, sempre fui a mais baixinha da turma e na 5ª série me mudei de cidade e de escola, falavam que eu errei de escola, que eu era tampinha e mimimi... Eu ficava muito triste com isso e deixava meus pais preocupados, cheguei até a ir em vários médicos e demorei muito a entender que sim, meu tamanho era normal, eu cheguei a ter depressão por isso.
    Sabe o que aconteceu depois? Eu AMO meu tamanho, eu amo ser baixinha, acho até feio mulheres muito altas! ♥

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    1. É exatamente isso que acontece! E, infelizmente, não somos só nós que passamos por episódios desse tipo :/ Diferente da sua situação, nunca consegui compartilhar nada com meus pais. Bom, não sei se foi pior ou melhor dessa forma, mas felizmente essa época passou e adotei uma nova perspectiva mais real sobre mim mesma! =) Fico feliz que você também tenha conseguido!

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  5. Que lindo Dani, há males que vem para o bem.
    Seu texto me cativou, virei com frequência lhe fazer visitinhas :)

    Bjs.
    in-lovegirls.blogspot.com.br

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Críticas são sempre bem vindas, comentem a tragédia (ou não).