24 de dezembro de 2013

Cama de pregos

E na escuridão, voltei caminhando pra casa. Voltei pro único lugar que ainda pertencemos quando os nossos sonhos não mais podem pertencer a nós mesmos. A noite tentava preencher com algo meu coração que se gelava e o vento tentava levar embora tantas recordações passadas (só pra ajudar doer um pouco menos)... Não pude me deixar ligar, não pude contestar. 
Não encontrei corda, não encontrei apoio ou, ao menos, a beira de um penhasco pra conseguir me salvar da queda. É como um daqueles sonhos em que você acorda logo antes de dar de cara no chão, só que eu não pude mais acordar. Já dizia o “Grilo Falante”: Não dá pra fugir da cama que a gente monta...

Nós tínhamos ido longe demais. Nós já tínhamos nos tornado insustentáveis há tempos - e há tempos em que só isso consegue transparecer. É claro que eu já sabia o final dessa história, mesmo tentando esquecer. Contudo, esse foi um dos motivos pelos quais eu antecipei minha reconstrução pessoal: não havendo mais nada pra questionar, me coloquei simplesmente a empacotar meus pertences restantes e a encaixar de novo cada pecinha do quebra-cabeças que eu sei que sou. 
Dessa forma, não deixa de ser difícil, mas a vida me lembra que preciso escalar de volta à saída desse abismo, e é pra lá que eu já estou indo...


Poema por Erica Vittorazzi, do blog Adoro Palavriar:
Você me bagunça
Descobri que você será uma ferida aberta em minha alma.
Uma palavra que sempre se repetirá porque não cicatrizou.
 E não importa o que eu sou/fui em sua vida. Se falta, saudade ou desprezo.
Nunca nos saboreamos,
Portanto, nunca saberemos
Sobre aquilo que nos padece.