11 de novembro de 2013

Tio Aroldo: o contador de histórias.

Hoje conheci o tio Aroldo, que me contou muitas histórias.

Os familiarizados com o jeito dele, que estavam ao redor, disseram que "meus ouvidos estariam ardendo", contudo, não vi de imediato razão para isso. Quero dizer, esse senhor realmente gosta de falar, mas expressa muito conteúdo: não era jogar papo fora, como muita gente se habitua a fazer, era receber conhecimento raro, conhecer as incríveis vivências de um ancião.
Também disseram que ele já não anda mais tão "bem da cabeça". Acontece que, comigo, pareceu bem demais da conta. Aí, me perguntei: será que se incomodam por causa do excesso de informação, ou pela dificuldade em lidar com as diferenças? Bom, talvez seja mesmo porque é difícil lidar com idosos e crianças, mas nunca, certamente, com adultos tão conscientes e responsáveis por tantos atos sensatos...
Foi então que entendi aquela "preocupação".
Ele só quer contar histórias para se sentir menos só (e eu só quero ouvir para guardar bem no coração).


Imagem por: mafin10

3 de novembro de 2013

Das desventuras minhas

(I)

- Mas a gente chegou aqui antes... - eu disse.
Aquela menina grande, de cabelo preto, da 4ª série, olhou bem pra mim:
- Se enxerga, dentuça!

Provavelmente era fim de tarde e eu e uma amiga brincávamos de amarelinha no pátio, até que aconteceu. Eu tinha só 7 ou 8 anos, mas ainda me lembro muito bem. Lembro de ser curioso como qualquer pessoa mais velha parecia sempre muito maior, mais forte e mais inteligente. Talvez, por isso mesmo, elas não devessem se levantar contra ninguém mais vulnerável: os estragos podem ser grandes. É que a gente acredita que elas sempre tem razão...

Pena ser tratada dessa forma. Os tempos de escola guardam muitas lembranças ruins, muita maldade alheia... E, mesmo sabendo que eram apenas crianças, as heranças da insegurança ainda perambulam por aqui. Sei que se não fosse por isso (e mais tantas outros infortúnios) não teria conseguido me moldar tão resistente como sou hoje, só que não foi fácil engolir tanta coisa (e tanta lágrima).

Se eu pudesse encontrar a menina da 4ª série hoje em dia, diria que usei um aparelho móvel horrível por um ano, aparelho fixo por mais ou menos 5 e freio de burro pra dormir. Contaria que tenho certeza que meus dentes tem um tamanho normal e que, depois de tanto tempo tirando fotos sérias (e as escondendo do mundo) não tenho mais vergonha nenhuma de sorrir! Não que ela pudesse, em qualquer situação da vida, ter qualquer coisa a ver com isso, ou pudesse entender quão difícil foi, mas é bom lembrar que já passou...