24 de dezembro de 2013

Cama de pregos

E na escuridão, voltei caminhando pra casa. Voltei pro único lugar que ainda pertencemos quando os nossos sonhos não mais podem pertencer a nós mesmos. A noite tentava preencher com algo meu coração que se gelava e o vento tentava levar embora tantas recordações passadas (só pra ajudar doer um pouco menos)... Não pude me deixar ligar, não pude contestar. 
Não encontrei corda, não encontrei apoio ou, ao menos, a beira de um penhasco pra conseguir me salvar da queda. É como um daqueles sonhos em que você acorda logo antes de dar de cara no chão, só que eu não pude mais acordar. Já dizia o “Grilo Falante”: Não dá pra fugir da cama que a gente monta...

Nós tínhamos ido longe demais. Nós já tínhamos nos tornado insustentáveis há tempos - e há tempos em que só isso consegue transparecer. É claro que eu já sabia o final dessa história, mesmo tentando esquecer. Contudo, esse foi um dos motivos pelos quais eu antecipei minha reconstrução pessoal: não havendo mais nada pra questionar, me coloquei simplesmente a empacotar meus pertences restantes e a encaixar de novo cada pecinha do quebra-cabeças que eu sei que sou. 
Dessa forma, não deixa de ser difícil, mas a vida me lembra que preciso escalar de volta à saída desse abismo, e é pra lá que eu já estou indo...


Poema por Erica Vittorazzi, do blog Adoro Palavriar:
Você me bagunça
Descobri que você será uma ferida aberta em minha alma.
Uma palavra que sempre se repetirá porque não cicatrizou.
 E não importa o que eu sou/fui em sua vida. Se falta, saudade ou desprezo.
Nunca nos saboreamos,
Portanto, nunca saberemos
Sobre aquilo que nos padece.


11 de novembro de 2013

Tio Aroldo: o contador de histórias.

Hoje conheci o tio Aroldo, que me contou muitas histórias.

Os familiarizados com o jeito dele, que estavam ao redor, disseram que "meus ouvidos estariam ardendo", contudo, não vi de imediato razão para isso. Quero dizer, esse senhor realmente gosta de falar, mas expressa muito conteúdo: não era jogar papo fora, como muita gente se habitua a fazer, era receber conhecimento raro, conhecer as incríveis vivências de um ancião.
Também disseram que ele já não anda mais tão "bem da cabeça". Acontece que, comigo, pareceu bem demais da conta. Aí, me perguntei: será que se incomodam por causa do excesso de informação, ou pela dificuldade em lidar com as diferenças? Bom, talvez seja mesmo porque é difícil lidar com idosos e crianças, mas nunca, certamente, com adultos tão conscientes e responsáveis por tantos atos sensatos...
Foi então que entendi aquela "preocupação".
Ele só quer contar histórias para se sentir menos só (e eu só quero ouvir para guardar bem no coração).


Imagem por: mafin10

3 de novembro de 2013

Das desventuras minhas

(I)

- Mas a gente chegou aqui antes... - eu disse.
Aquela menina grande, de cabelo preto, da 4ª série, olhou bem pra mim:
- Se enxerga, dentuça!

Provavelmente era fim de tarde e eu e uma amiga brincávamos de amarelinha no pátio, até que aconteceu. Eu tinha só 7 ou 8 anos, mas ainda me lembro muito bem. Lembro de ser curioso como qualquer pessoa mais velha parecia sempre muito maior, mais forte e mais inteligente. Talvez, por isso mesmo, elas não devessem se levantar contra ninguém mais vulnerável: os estragos podem ser grandes. É que a gente acredita que elas sempre tem razão...

Pena ser tratada dessa forma. Os tempos de escola guardam muitas lembranças ruins, muita maldade alheia... E, mesmo sabendo que eram apenas crianças, as heranças da insegurança ainda perambulam por aqui. Sei que se não fosse por isso (e mais tantas outros infortúnios) não teria conseguido me moldar tão resistente como sou hoje, só que não foi fácil engolir tanta coisa (e tanta lágrima).

Se eu pudesse encontrar a menina da 4ª série hoje em dia, diria que usei um aparelho móvel horrível por um ano, aparelho fixo por mais ou menos 5 e freio de burro pra dormir. Contaria que tenho certeza que meus dentes tem um tamanho normal e que, depois de tanto tempo tirando fotos sérias (e as escondendo do mundo) não tenho mais vergonha nenhuma de sorrir! Não que ela pudesse, em qualquer situação da vida, ter qualquer coisa a ver com isso, ou pudesse entender quão difícil foi, mas é bom lembrar que já passou...



11 de outubro de 2013

On the Road e as conclusões.

Quanto menos tenho tempo pra ler, mais desejo me jogar em alguns livros... Deixar a mente viajar e aprender o quanto for possível. Pensando nisso, decidi falar sobre meu fracasso (praticamente) na leitura do "On the Road" e o que de mais especial encontrei nele.

Já começo dizendo que não terminei de ler, fui até um pouco depois da segunda parte e, como a história não "evoluia" de modo algum, foi inevitável pra mim não "largar mão". Não chega a ser ruim ao todo, alguns relatos das viagens feitas de carona pelo narrador-personagem são até bem cativantes, mas a sensação que dá é de que os acontecimentos são muito repetitivos. Quando você acha que vai acontecer algo relevante pra mudar o rumo da coisa, novamente se depara com aqueeela mesmice: estrada, parada rápida, estrada, mesmas pessoas, mesmas conversas, estrada mais uma vez.

Por outro lado, o que realmente me fez sentir que essa tentativa de leitura valeu a muito a pena, foi um único parágrafo que descreve tão bem questões que vivem perambulando pela minha cabeça. Como não poderia deixar de postá-lo, aí vai ele:
"Garotas e rapazes da América têm curtido momentos realmente tristes quando estão juntos; a artificialidade os força a se submeterem imediatamente ao sexo, sem os devidos diálogos preliminares. Não me refiro a galanteios, mas sim um profundo diálogo de almas, porque a vida é sagrada e cada momento é precioso."

É isso aí, provavelmente é meu parágrafo preferido dente todos os livros que li.



27 de julho de 2013

Essa semana

Você tá bem. Aí você dorme e acorda numa das piores fases de vida. Acontece. Acontece?

Geralmente eu me sentia ok, mas outras mil vezes eu me sentia muito melhor que isso. Agora que nada mais tem se encaixado, sinto diferente. Sinto dor e o peso da solidão, então, essa semana descobri que Dramin B6 não me ajuda a acabar com a insônia, que chá não me faz relaxar, que não tenho realmente nada e que muitos dos meus planos simplesmente não vão acontecer. Tenho entendido que a gente na verdade é sozinho, sempre, e eu tinha esquecido. Só que era tão bom ter alguém pra quem voltar...

5 de maio de 2013

Desabafo e mágoa

Te perdoar não é fácil. Não nego: as vezes penso que ficou para trás. Porém, quando lembro de novo sobre o que senti após aquilo, sei que não está tudo bem. Querer chorar ao repensar aquele momento não é "tudo bem". Como eu queria que você soubesse... Como eu queria queria que você, ao menos, tivesse ideia. Me dá um nó na garganta.
Você se rebaixou tanto e sente orgulho de tê-lo feito. Desejo em segredo que, algum dia, você se envergonhe. O problema é que não compreendo o que passou pela sua cabeça, afinal, quem você pensa que é? O que fez você se sentir com esse direito?  "Não suporto que me desafiem"... É mesmo? E eu não suporto sua intolerância, essa ilusão de grandeza e de ser especial.
Na verdade, queria te contar que, para mim, você é pouco. E, de mim, você conseguiu muito pouco. Isso tudo porque você me mediu errado aquele dia. Queria te lembrar que as únicas pessoas que podem encostar o dedo em mim são meus pais e nem eles o fazem.
Por que é que você simplesmente não entende? Posso dizer que não há confiança, não boto a mão no fogo por você e, se me perguntarem de preferência, não é seu nome vai sair da minha boca. Queria te falar que, de mim, você provavelmente não merece. Você quebrou o que era nossa ligação. Mesmo hoje em dia, é difícil encaixar os pedaços e encontrar os que ainda estão desaparecidos. E será que dá para encontrar? De vez em quando não percebemos que uma ação nossa pode marcar uma pessoa por muitos anos.
Não quero te desejar mal, quero crescer como pessoa. Espero que você tenha crescido. 

Mágoa
s.f. Dor.
Sentimento de tristeza, pesar; desgosto.
Ressentimento.

15 de março de 2013

Algo sobre beleza e autoestima


Aí, eu me pego pensando sobre como as pessoas conseguem ser vazias e, ao invés de tentar lutar contra essa tendência, se deixam levar pelo fluxo, inventando argumentos que incentivem uma tentativa besta de se preencher.

Outro dia, ouvi duas grandes amigas comentando sobre como estavam insatisfeitas com seus corpos e sobre como desejavam gastar o dinheiro que fosse pra “consertar” isso. Essas garotas queriam aumentar seus seios e praticamente podiam jurar que, colocando silicone, se sentiriam melhores com elas mesmas. Será que só se submetendo ao padrão de beleza atual, e ao que a mídia faz você engolir todos os dias, é que dá pra se sentir bem? O que é se sentir melhor? Sinceramente, eu não penso que elas se tornariam pessoas mais felizes depois de encarar esse processo (que não é simples assim). Primeiro, porque os motivos são extremamente fúteis (mesmo que elas insistam em afirmar o contrário) e, além disso, hoje em dia, poucas pessoas estão, de verdade, satisfeitas consigo mesmas no sentido estético da coisa. É sempre, e por todo lado, algo mais ou menos assim: “tenho um nariz estranho”,“to ficando gorda”, “sou muito magro”, “tenho orelhas tortas”, “quero ficar ‘bombado’”, “preciso de uns lábios mais grossos”, “meu cabelo é ruim”, até mesmo “preciso de uma tatuagem/piercing”, e um milhão de outras reclamações, infundadas. Sei bem que é difícil se controlar (e parar de se enganar), porque é difícil conseguir se amar com tanta gente buzinando no ouvido. É muita moda, padrão, propaganda enganosa, manipulação. Eu mesma já fiquei encanada, e por um bom tempo, por causa de vários “defeitos” meus e, sim, tenho “crises” de autoestima, mas não desisto de me questionar. Não desisto de me fazer lembrar que isso tudo é ridículo e que eu sou bonita, muito. Que eu sou, e sempre vou ser amada (e você também). 
Dá para mudar a aparência de mil jeitos, mas acontece que esse tipo de fraqueza em relação a si mesmo nunca vai fazer ninguém mais atraente/desejado e, muito menos, especial. Pelo contrário! Quando alguém não se aceita, dá pra reparar. 
Por isso, abre os olhos e vê que especial mesmo é ser confiante! Isso é raro e merece admiração. Espero que, em algum momento, todo mundo perceba o quanto é lindo, por dentro, claro, mas por fora também! Afinal, beleza não é algo com medidas definidas. É muito mais ter coragem de ser diferente e espalhar esse sentimento.

Escrevi esse texto porque fico muito triste quando penso sobre esse assunto. 

28 de janeiro de 2013

Ansiedade


Tenho quase certeza de que acontece algo de errado comigo. Ou apenas fora do comum. É algo que se desencadeia do nada em mim e, passado um tempo, o que me resta é tentar combater uma ansiedade gigante enquanto percebo que não tenho com o que me ocupar. Não tenho o que usar pra preencher esse vazio. Não sinto vontade de nada.
Como se fosse uma crise: “Do nada” surto e começo a pensar em tudo ao mesmo tempo. Em como não estou usando o tempo restante do dia e, também, em como não tenho paciência para usá-lo bem.
Não quero assistir a um filme, porque não conseguiria me concentrar. Além disso, comédias, que deviam fazer rir, geralmente me deixam mais deprimida com o mundo do que qualquer drama. Como posso me distrair? Como vou sair disso?
 Há pouco tempo notei que, durante meus momentos, lendo eu me sinto mais confortável. Antigamente, lia em média dois livros por ano. Contudo, recentemente, li 6 livros num prazo de um pouco mais de um mês. Às vezes tenho que fazer pausas durante a leitura em função da dificuldade de acompanhar a história e aí fico lutando contra pensamentos aleatórios, porém, persistindo consigo gastar umas horas entretida.

Falta de "diversão"? Não sei nem mais o que me diverte. Sair não me diverte, porque ver gente que não gosto não me diverte. O facebook definitivamente não me diverte. Nem a TV. Nem praticar esportes. Nem conversar por muito tempo. Nem o esforço de pegar ônibus pra ver meus amigos. Não quero fazer nada que eu não queira e não quero nada, mas preciso de alguma coisa. E a sensação de precisar custa a ir embora. E fico nisso por horas...