23 de dezembro de 2011

white

Não estou certa de que a arte que pulsa aqui, em mim, consegue permanecer nesse mesmo estado: "dentro". Sim, pois, tanto quanto o som, ela precisa de espaço, superfície para refletir. Não é algo que dê para engolir e manter estagnado garganta adentro, principalmente quando existe a vontade de colorir um olhar, um riso, uma melodia, um toque.
Às vezes, sinto mais barulho dentro do que fora, enquanto ouço a pressa dos automóveis, o jazz de algum bar, o nascer da escuridão no céu. E é aí que dou liberdade ao que me preenche, propositalmente ou sem querer... mas creio que, independentemente disso, uma hora tenha que transbordar. 

18 de setembro de 2011

Fechadura, cadeado, chave

O tempo não é o grande inimigo, como se diz, "o buraco é mais embaixo". O real problema é aquilo que trás a vontade de fazê-lo passar, e bem depressa, para que não se sinta o que há de pior.
É tanto para fazer por tão pouco, e em períodos tão pequenos. Toda forma de desgaste por tudo que não vale o esforço. O falso poder alheio serve de guia para a sociedade que, vendada, segue rumo a um abismo. Imposição, indução, competição, corrosão... E vive, ainda assim, a tentativa de encontrar o "lugar" ao qual pertencemos. Frustração e preocupação nos pertencem, portanto. São instituições que nos arrancam a autonomia, nos despedaçam, assassinam a criatividade e a motivação.
Procura-se por ligações fortalecidas entre as pessoas, em meio a tudo isso. Tomamos fôlego e repetimos mentalmente, continuamente, palavras de consolo. 
Estamos sufocando e gritando por ajuda em silêncio, trancados em cômodos escuros. Somos todos vizinhos.

21 de agosto de 2011

Contra o silêncio, movimento.

Ideias, movimento e voz. Nessa ordem. Estaremos mesmo encaixados num espaço de tempo ou modelo em que conformismo, comodismo, inércia nos impedem de construir essa sequência? Deveríamos levar em conta o individualismo, enquanto estamos todos ligados através do anseio por igualdade e quebra de correntes?
Criticar a sociedade e apenas esperar atitudes alheias por uma mudança acaba sendo tão condenável quanto a certeza de que há repressão em suas diversas formas e escolher fechar os olhos para isso. Contudo, em certos casos, é preciso considerar que, não havendo grandes resultados com o tempo, o desgaste surge e, apesar das esperanças, a luta por ideais torna-se enfraquecida quando não se consegue a devida organização e união, arrancando de muitos guerreiros a força necessária para resistir, continuar batalhando ou, até mesmo, acreditando. A frustração se apresenta. Assim, condenável mesmo, pode ser o fato de que muitas pessoas ao menos possuem consciência de que sofrem constante exploração.
A grande questão seria: qual a saída quando não resta fé?
Óbvia é a resposta, portanto, que tomemos atitudes. Que juntos possamos manter acesa a chama que evita a desistência, apontando que o “melhor” pode estar distante, mas está por vir. Que nos manifestemos e sejamos capazes de nos considerar campeões apenas pela tentativa. “As vitórias podem se dar através do processo coletivo de mobilização”. O que de tão grande é perdido quando se arrisca, enquanto se está ganhando voz? Com certa insistência e desejo de libertar-se, enxerga-se a capacidade que temos de nos organizar politicamente para a concretização daquilo que for tão esperado, passando por cima de entorpecentes e indiferença.
Que a capacidade de se indignar seja resgatada, afinal, é por aí que se altera qualquer tipo de sistema que nos torne submissos a um grupo de seres humanos, que são como nós, mas somente teoricamente com os mesmos direitos. Foi por aí que sempre se destruiu barreiras, somos “herdeiros de todos aqueles que morreram, lutaram, se indignaram”, não podemos ser a geração que se cala diante da visão de uma sociedade caminhando, cada vez mais, para uma condição desprezível.
Olhando para direções aleatórias, enxergamos exploração. E enxergamos traços de revolta. Que comecemos a notar, também, a crescente força de vontade coletiva colocando itens em seu devido lugar.

2 de agosto de 2011

All these asphyxiated, self-medicated;

Outro dia. 
Maquiagem borrada. Lembranças do pó compacto, cartela de sombras, excesso de rímel e expectativas criadas  com certa antecedência. Lápis de olho. O contraste entre boca, o batom vermelho que insistira em ficar e a palidez doentia da pele, era obra de arte juntamente com as novas marcas arroxeadas ao longo de seu corpo. Como ela poderia lidar com o fato de ser a artista? O peso em sua mente não era mesmo apenas físico. Poderia tentar fugir dos detalhes restantes e encontrar um álibi apropriado para a noite anterior, mas o buraco negro que construíra dentro de si, na tentativa frustrada de tapar aquele "vazio", seria difícil disfarçar. 
O cheiro era prova. Suor pelo seu corpo e roupas de cama, roupa íntima. Algo como álcool. Fumaça em geral. Era diferente do que chama-se "arrependimento", seu íntimo, envergonhado, compreendia o rumo mal escolhido. Suas vísceras pareciam suplicar socorro em cada uma das vezes em que ela se ajoelhava, trancada no banheiro, vomitando o exagero do que prometia ser a cura durante a madrugada, ou basicamente, lembrando de outros instantes em que sobre seus joelhos apoiara-se por outros motivos e não tivera forças para manifestar algum tipo de oposição. 
As apostas, consumidas com o uso de seringas, foram rapidamente convertidas em morfina. A cicatriz não desaparecera. Não desapareceria. As cicatrizes. Feridas abertas e seu corpo infeccionado, se perguntava pelo que substituiria os pontos ou ajuda médica. O toque de cenas que reapareciam com as manchas provocadas por bocas, dentes, mãos e unhas, desejo e submissão. O corpo inteiro.
Espelho, água, sabonete, escova de dentes, maquiagem, perfume, cabelos. De novo. Fantasia e uma outra máscara, para abrir as janelas do apartamento e sair pela porta, chegando após um tempo com nada além de sinais de pura diversão, novamente.

27 de março de 2011

I'd rather hurt than feel nothing at all


Havia ganhado uma nova companhia e, apesar de não compreender o quanto, de fato, poderia lhe confiar, não me declarava capaz de prosseguir sem ela. Após conhecer o poder do desapego, tive dificuldades em rejeitar sua participação em determinados capítulos, talvez, por nada além do medo de sofrer pelo que poderia ser ignorado, talvez pela covardia ao precisar encarar grandes obstáculos. Não disponho da noção exata do momento em que decidira parar de me importar, mas ao enxergar as consequências do que acarretara a mim mesma, passei a questionar o caminho sobre o qual andava de modo apressado. E quis mudar.
Vetar os pensamentos pode parecer funcionar... Não para sempre. Embora você possa optar por não desenterrar determinados dias, fatos ou pessoas de suas recordações, eles continuarão existindo. Existindo sem que você interfira. Sem que você possa, algum dia, saber o que uma pequena atitude poderia ter alterado. É fácil fechar os olhos e proferir algo comparado a: "está tudo bem, tudo sob controle", enquanto, pelas suas costas, metade do mundo desaba. E desaba, indiretamente, com sua ajuda, pois assim como mentir pode ser tão ruim quanto omitir, agir em favor de algo desastroso pode ser apenas não mover um dedo contra ele. Esse é o mal do desapego, essa é a participação da ignorância.
Não se envolver com a realidade não te esconderá dela por tanto tempo assim. Tudo pode parecer bem mais simples quando não existe a preocupação em buscar aquilo que "não querem" que você encontre, porém, achar o que havia sido imerso não é exatamente sofrer, é tornar-se ativo diante sua própria vida. Chatear-se, esbarrar com a tristeza e pensar estar sem saída, podem ser a chave para destrancar portas ou, até mesmo, destruir a maioria das correntes. Se dói, é porque você ainda tem o que aprender com isso.
Muitas vezes são somente "momentos errados", e essas é a melhor das hipóteses. Tirar o corpo da história e negar sentimentos não é, portanto, algo que eu aconselharia. Afinal, por experiência, descobri que todo e cada segundo em que você simplesmente "não liga", equivale ao número de quilômetros que você se distancia do que, verdadeiramente, queria. Nenhuma causa está perdida, nada é em vão, a dor não é ponto final e não há esforço que não valha a pena. "O que me preocupa é o silêncio dos bons".

20 de fevereiro de 2011

When life gives you lemons, make lemonade!



Faz parte de um ciclo, de algo maior. Todo começo tem um fim e, o que termina, indica um novo ponto de partida. Então, não, você definitivamente não precisa de uma bússola. A frustração por perder a sua “razão” pode te prender a perspectivas pequenas: livre-se dela caso seu objetivo não seja permanecer perdido. 
Sei que parece surreal e, muitas vezes, a palavra “acabou” chega sem aviso prévio, porém não se deixe levar pela insegurança de não ter marcado o caminho da casa com grãos, pelo medo do que surge quando as luzes se apagam, pelo receio proveniente de estar desarmado. É preciso ser otimista, ou realista no mínimo, para voltar a enxergar o horizonte, um novo cenário. O pessimismo, agora, funcionará como uma âncora, capaz de prender-lhe ao passado enquanto dias importantes de sua vida se despedem. Ser imune a dor, não arrepender-se de qualquer detalhe e não ser surpreendido por uma incrível vontade de chorar não precisa ser seu objetivo, até porque, seria quase inalcançável. Quero dizer, é por ter sentimentos que você se magoa, e se isso acontece, é por você se importar. Enfim, apenas lembre-se de dar mais importância a si mesmo. 
As palavras confortantes, abraços calorosos, desejos insanos, atitudes impulsivas, expressões nas horas certas e tempo investido não vão mesmo desaparecer, nem da memória e nem do coração, mas qual a melhor alternativa se não aceitar? Sim, aceitar que não volta mais, mesmo que seja ainda parte de você (e poderá para sempre ser). Aceitar que tudo está sujeito a transformações e que sofremos metamorfose todos os dias. Aceitar que esse é simplesmente um dos prazeres de viver, evoluir. 
Para domar a angústia, basta encarar como uma experiência muito útil para o que ainda está por vir, afinal, o futuro é incerto e, se houver merecimento, muito melhor. Somos capazes de amar novamente -e cada vez com mais intensidade-, de sorrir inúmeras vezes, de conhecer as vantagens da entrega, de não sofrer mais do que o necessário para tirar uma lição. Portanto, ao invés de agarrar-se ao que te dá adeus, sonhe com o que irá ocupar o lugar vago. 
"Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas" Antoine de Saint-Exupéry

17 de janeiro de 2011

She said home is where the heart is



Cabelos loucamente cacheados e tão arrumados quanto os de alguém que acabara de acordar, regata branca, shorts boyfriend, um par de tênis companheiros, uma maçã e uma rede velha forrada no chão. A brisa mais contemplada por mim até hoje, uma espécie incomum de inseto subindo a minha perna direita, o sussurrar das árvores, areia entre os dedos e a luz do sol para acompanhar minha inspiração.
Deitada aqui sinto-me simplesmente em paz, abraçada pela tranquilidade da natureza e a distância daquilo que aniquila minha paciência em poucos segundos. "Home is where the heart is" poderia explicar, assim, porque apesar de estar longe de onde moro, não sinto saudades: talvez meu coração não viva mesmo entre tanto fingimento, monotonia e enfermidades em suas mais variadas formas. O calor em minha pele e o modo como gostaria de correr por aí tentando espalhar o que renasceu em mim, me faz crer que minhas raízes não poderiam estar em qualquer outro local. Uma caneta, um pedaço de jornal em mãos -que agora ganha nova utilidade- , "Nevershoutnever" e "A Rocket to the Moon" como trilha sonora e tudo revela ter sentido.
Olho ao redor e compreendo o quanto não estou completa, apesar de satisfeita. Ao menos, a falta que pessoas poderiam me fazer se torna pequena, se não nula. Quero dizer, poderia defini-las como supérfluos ao lado de tamanha perfeição das coisas pequeninas, por vezes ignoradas pela maioria. Companhia não cairia mal, mas de tempos em tempos, momentos de solidão são precisos e devem ser valorizados. Somente sozinha encontro-me no poder de analisar a minha vida e a mim mesma como um todo, sem que erros passem despercebidos e falsas esperanças ceguem meus olhos, pois é interessante como a presença de "certos alguéns" pode nos tornar indiscutivelmente vulneráveis. Tarefa complicada é manter-se estável durante a reviravolta de algumas recordações, enfim, estar só enquanto escrevo parece muito mais apropriado.
À medida que as palavras correm pelo papel, os elementos do ambiente transformam-se em anseio e a melodia controla o ritmo da minha respiração. Observo o dançar dos pássaros, que atiram-se no céu completamente azul sem apresentar o qualquer vestígio de medo. E tornam-se pequenos diante da imensidão do horizonte... Assim como meus pseudo-problemas perto da pessoa que lembro ser. Assim como outras diversas complicações que nunca deveriam ser tomadas como elemento principal do cenário. Todo o meu remorso e culpa, então, estão enterrados por aí.
Em minha alma só cabem agora a certeza em esperar dias melhores, harmonia, calma e confiança, para saber que os detalhes se ajeitam sem que alguém precise afirmar que ficarei bem. Segurança é quase meu nome do meio. Sou parte de cada centímetro e aqui é onde sei que posso me consertar, onde posso me livrar de cada dilema e, portanto, perdoar-me por desapontar tanto. Quando o que construo parecer desmoronar e cada passo apenas me fizer desandar, para cá fugirei sem que ocasionalmente me sinta em fuga. É minha forma verdadeira e oficial de refúgio. 
Deixar à mostra outras características sobre meu recanto poderia apagar seu brilho e extinguir a magia, já que o valor existe para mim e cada qual tem uma personalidade relacionada a determinadas preferências e expectativas. Na realidade, apoio a teoria de que todos devam possuir um local especial ou maneira própria de acalmar o coração. Tempo, luz e coração para pensar, junto ao que faz de você quem você é, é algo que indico.

8 de janeiro de 2011

Smile like you mean it

Sinto falta de sorrir. A todo momento vivo deixando à mostra em minha face uma série de sensações, mas não me sinto digna desse ato. Isto é, apenas sei disfarçar o que sinto, exagerar momentos de alegria e forçar algumas risadas quase simpáticas. Pode até ser que, por alguma razão, possua o dom de atuar, afinal, por vezes considero a possibilidade de usufruir diariamente de uma coleção de máscaras, cujas dimensões se definiriam por inimagináveis. Sinto falta, então, não da ação de falsificar felicidade através do conjunto lábios, dentes e olhar, mas sim, de usá-lo para reagir a algum verdadeiro motivo para ficar feliz e permanecer nesse estado. 
Colocando em palavras o que atualmente habita meus pensamentos, espero não dar a entender que ando cercada por calamidades, me intriga somente o fato de, já há algum tempo, não sorrir com incrível vontade, como quando todas as peças de um quebra-cabeças parecem, de repente, se encaixar e é simplesmente incogitável desmanchar a expressão. 
Tenho me indagado a respeito do assunto sem encontrar explicações coerentes para a falta de frequência de algo tão bom e puro. Mergulho nos detalhes de um passado agradável em busca do que eu traria de volta ao presente e, ao mesmo tempo em que compreendo o fato de determinadas coisas terem se tornado apenas memórias, considero descuido declarar outras como sem vida. Me sinto capaz de resgatar aquilo que me fez bem das garras do tão citado "era uma vez" mas, após esse feito, poderia eu atingir meus objetivos que não exigem o "feliz para sempre", e sim, "feliz pelo tempo que for"? Até agora, uma muralha de dúvidas tem me intimidado e cada fração de sua extensão relaciona-se a algum medo: o de ferir os que amo, de acabar repleta de arrependimentos, de ser iludida por minhas próprias expectativas. Não encontro mais chão sob meus pés, o que me impulsiona a tomar o controle da situação, baseando-me no fato de que devo ser sincera comigo mesma para obter o melhor e estímulos (antigos ou recentes) para mostrar o cartão de visitas, próprio e natural de cada um: o sorriso. É como o reflexo de nossa alma e em momento algum deveria transmitir o que não somos, é como mentir para o mundo, para o espelho e para nossas próprias virtudes. 
Pergunte-se com que frequência você sorri de verdade e o que é que o leva ao resultado, acredite: tem me auxiliado. Meu rumo ainda estou destinada a escolher e sobre o futuro não possuo convicção, porém "detalhes" como estes não irão cair em esquecimento novamente.