29 de dezembro de 2010

Peixe fora d'água, borboletas no aquário

Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de ventoTudo bem, seja o que for, seja por amor às causas perdidas... Por amor às causas perdidas (Engenheiros do Hawaii- Dom Quixote)

A nostalgia pode provocar grande estrago, experiência própria. Na presença de marcantes lembranças, a mesma se tornou razão para que eu perdesse o medo de adquirir um novo ponto de vista e abrisse um dos meus bens mais preciosos, a arma mais letal contra mim mesma: uma caixa de recordações. 
Eu decidira criar um depósito de objetos a partir do momento em que percebera que já não era mais capaz de me livrar de detalhes com grande valor sentimental. Deve ter acontecido, provavelmente, em um desses finais de ano, mais especificamente, há cerca de 3 anos atrás. Começara devagar, apenas com algumas pseudo-cartas, bilhetes, um pequeno caderno de caligrafia do jardim de infância e embalagens de bombons. Não era exatamente uma caixa, mas sim, uma sacola preta, para não despertar curiosidade de quem não desejo por perto. A coleção foi criando tamanho, enfim, a grande quantidade de bons momentos e saudade fora transferida para uma caixa de sapatos, o que se deu no começo da contagem atual até o 365º dia. 
Em uma tarde nada incomum desta semana, me resolvi por seguir um impulso e tirei a tampa: deparei-me com frustrações em forma de mensagens pedindo ajuda, desenhos expressando inspirações musicais, diálogos entre pessoas que mal vejo atualmente, um trevo de quatro folhas, um dólar, uma garrafa, uma pinha, bulas e cartelas de remédios representando as mais impensadas aventuras, tickets de cinema e hotéis, passagens de ônibus compradas secretamente, músicas e poemas revelando um coração trincado. Até os papéis de doce parecem ter se multiplicado. Todos os itens me trouxeram de volta seus significados e pintaram imagens de personagens e ótimas companhias em minha mente.
Eu ficara tanto tempo longe disso... Durante esse período, procurara recolher e conservar partes de tudo o que, de algum modo, me fez sentir. Não é só mais uma peça retangular de papelão azul e branco, preenchida por passado e pelos mais ocultos segredos, é quase um cadeado. É o que mantém fechada a entrada para o infinito que faz de mim o que sou. É a prisão que mantém estático tudo o que gostaria de sair e ocupar qualquer lugar em meu presente. E, mais uma vez, aquela contradição interna me coloca contra a parede: gostaria de poder libertar essas antigas traças e borboletas e, ao mesmo tempo, possuo um terrível medo delas. 
"Desconhecido" é a definição, já que entendo como cheguei até aqui e não me permito aceitar os caminhos adotados. Desconhecida de mim mesma sou, por fitar meu próprio reflexo e não enxergar quem me tornei, mas sim, quem gostaria de ser. Não sou de ficar procurando imperfeições e julgando a todo momento, não me considero alguém exigente e que se decide com facilidade, contudo, sempre soube manter-me distante daquilo que faz adoecer e, gradativamente, faz cessar o brilho natural de qualquer pessoa. Embora seja triste admitir, meu maior dilema esse ano tem se baseado em não mais reconhecer aquilo que me faz mal, e consequentemente, não saber do que me afastar, afinal, a direção que a nostalgia me aponta não é a mesma que meus impulsos sentimentais repentinos me aconselham a seguir. 
Finalizei aquela tarde lacrando a caixa, visando começar uma nova. Devo fazer o mesmo com meu coração, deixando para trás o que foi bom, ou libertar o que até hoje me comove de certa maneira?

14 de dezembro de 2010

Courage to grow

"Because there's nothing in the world that you can't get, so don't fill your life with confusion and regret; You better take some chances right now" (Courage to Grow- Rebelution)

Foram escolhas. E muitas delas. Algumas me tiraram o sono, outras me mandaram para a cama mais cedo. Consequências, silenciosas ou barulhentas, não deixaram de se apresentar rapidamente após cada mudança. Procurei me fazer mais forte com base nos resultados que, com o passar dos dias, obtive, porque é claro: quando bate a nostalgia, é preciso ter muralhas resistentes para não desabar. 
Apostei no otimismo, procurei por sabedoria e novos ares, com a finalidade de me garantir. Já que o medo atrai o que se teme, optei por pensar positivo e evitar qualquer desperdício em relação ao ritmo dos ponteiros. Posso dizer, também, que praticamente os desafiei: não mais me deixo dominar pela agonia de presenciar a despedida das estações que satisfizeram um ciclo e os cumprimentos das que comunicam sua chegada. 
Ao analisar a experiência absorvida do que construí a partir de coleções de pequenas pedras ou quebrei em mil pedaços nesses últimos 11 meses, vou me sentindo mais perto de encontrar a satisfação. É como quando você se depara com uma fragrância nova em sua roupa e, cada vez que inspira, tem o prazer de sentir repetidamente o conforto proporcionado e descobrir mais detalhes em relação ao cheiro, que agora, praticamente faz parte de você.
Faz parte do meu ser o que de abstrato foi conquistado, através de estradas longas ou curtas, ocultas ou obvias, tortuosas ou não e, quanto mais penso nos obstáculos enfrentados por mim e as circunstâncias em que isso ocorreu, mais motivos encontro para agradecer todas as noites pelas minhas virtudes, pelas novas certezas e por quem tenho ou tive ao meu lado. Hoje, meus planos se resumem a fugir de pendências, manter distância do que pode sufocar, priorizar boas vibrações e deixar o calendário de lado. 
Que a vida me ajude a organizar em meu interior uma lista de sonhos tão grandes quanto minha coragem para concretizá-los. Que o futuro me presenteie com desafios a altura da minha vontade de aceitá-los sem receio.