29 de dezembro de 2010

Peixe fora d'água, borboletas no aquário

Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de ventoTudo bem, seja o que for, seja por amor às causas perdidas... Por amor às causas perdidas (Engenheiros do Hawaii- Dom Quixote)

A nostalgia pode provocar grande estrago, experiência própria. Na presença de marcantes lembranças, a mesma se tornou razão para que eu perdesse o medo de adquirir um novo ponto de vista e abrisse um dos meus bens mais preciosos, a arma mais letal contra mim mesma: uma caixa de recordações. 
Eu decidira criar um depósito de objetos a partir do momento em que percebera que já não era mais capaz de me livrar de detalhes com grande valor sentimental. Deve ter acontecido, provavelmente, em um desses finais de ano, mais especificamente, há cerca de 3 anos atrás. Começara devagar, apenas com algumas pseudo-cartas, bilhetes, um pequeno caderno de caligrafia do jardim de infância e embalagens de bombons. Não era exatamente uma caixa, mas sim, uma sacola preta, para não despertar curiosidade de quem não desejo por perto. A coleção foi criando tamanho, enfim, a grande quantidade de bons momentos e saudade fora transferida para uma caixa de sapatos, o que se deu no começo da contagem atual até o 365º dia. 
Em uma tarde nada incomum desta semana, me resolvi por seguir um impulso e tirei a tampa: deparei-me com frustrações em forma de mensagens pedindo ajuda, desenhos expressando inspirações musicais, diálogos entre pessoas que mal vejo atualmente, um trevo de quatro folhas, um dólar, uma garrafa, uma pinha, bulas e cartelas de remédios representando as mais impensadas aventuras, tickets de cinema e hotéis, passagens de ônibus compradas secretamente, músicas e poemas revelando um coração trincado. Até os papéis de doce parecem ter se multiplicado. Todos os itens me trouxeram de volta seus significados e pintaram imagens de personagens e ótimas companhias em minha mente.
Eu ficara tanto tempo longe disso... Durante esse período, procurara recolher e conservar partes de tudo o que, de algum modo, me fez sentir. Não é só mais uma peça retangular de papelão azul e branco, preenchida por passado e pelos mais ocultos segredos, é quase um cadeado. É o que mantém fechada a entrada para o infinito que faz de mim o que sou. É a prisão que mantém estático tudo o que gostaria de sair e ocupar qualquer lugar em meu presente. E, mais uma vez, aquela contradição interna me coloca contra a parede: gostaria de poder libertar essas antigas traças e borboletas e, ao mesmo tempo, possuo um terrível medo delas. 
"Desconhecido" é a definição, já que entendo como cheguei até aqui e não me permito aceitar os caminhos adotados. Desconhecida de mim mesma sou, por fitar meu próprio reflexo e não enxergar quem me tornei, mas sim, quem gostaria de ser. Não sou de ficar procurando imperfeições e julgando a todo momento, não me considero alguém exigente e que se decide com facilidade, contudo, sempre soube manter-me distante daquilo que faz adoecer e, gradativamente, faz cessar o brilho natural de qualquer pessoa. Embora seja triste admitir, meu maior dilema esse ano tem se baseado em não mais reconhecer aquilo que me faz mal, e consequentemente, não saber do que me afastar, afinal, a direção que a nostalgia me aponta não é a mesma que meus impulsos sentimentais repentinos me aconselham a seguir. 
Finalizei aquela tarde lacrando a caixa, visando começar uma nova. Devo fazer o mesmo com meu coração, deixando para trás o que foi bom, ou libertar o que até hoje me comove de certa maneira?

14 de dezembro de 2010

Courage to grow

"Because there's nothing in the world that you can't get, so don't fill your life with confusion and regret; You better take some chances right now" (Courage to Grow- Rebelution)

Foram escolhas. E muitas delas. Algumas me tiraram o sono, outras me mandaram para a cama mais cedo. Consequências, silenciosas ou barulhentas, não deixaram de se apresentar rapidamente após cada mudança. Procurei me fazer mais forte com base nos resultados que, com o passar dos dias, obtive, porque é claro: quando bate a nostalgia, é preciso ter muralhas resistentes para não desabar. 
Apostei no otimismo, procurei por sabedoria e novos ares, com a finalidade de me garantir. Já que o medo atrai o que se teme, optei por pensar positivo e evitar qualquer desperdício em relação ao ritmo dos ponteiros. Posso dizer, também, que praticamente os desafiei: não mais me deixo dominar pela agonia de presenciar a despedida das estações que satisfizeram um ciclo e os cumprimentos das que comunicam sua chegada. 
Ao analisar a experiência absorvida do que construí a partir de coleções de pequenas pedras ou quebrei em mil pedaços nesses últimos 11 meses, vou me sentindo mais perto de encontrar a satisfação. É como quando você se depara com uma fragrância nova em sua roupa e, cada vez que inspira, tem o prazer de sentir repetidamente o conforto proporcionado e descobrir mais detalhes em relação ao cheiro, que agora, praticamente faz parte de você.
Faz parte do meu ser o que de abstrato foi conquistado, através de estradas longas ou curtas, ocultas ou obvias, tortuosas ou não e, quanto mais penso nos obstáculos enfrentados por mim e as circunstâncias em que isso ocorreu, mais motivos encontro para agradecer todas as noites pelas minhas virtudes, pelas novas certezas e por quem tenho ou tive ao meu lado. Hoje, meus planos se resumem a fugir de pendências, manter distância do que pode sufocar, priorizar boas vibrações e deixar o calendário de lado. 
Que a vida me ajude a organizar em meu interior uma lista de sonhos tão grandes quanto minha coragem para concretizá-los. Que o futuro me presenteie com desafios a altura da minha vontade de aceitá-los sem receio.

24 de novembro de 2010

A experiência manda esperar.



Paro e penso. Ou melhor, lembro, já que experiência própria tem um valor gigantesco. Modéstia à parte, então, conheço bem o território por onde arrisco pisar. Se isso me satisfaz? Não, pois sei que não há limites para a evolução e não contento-me com pouco, embora já tenha adquirido tanto conhecimento em tão pouco tempo. Me orgulho em função da manha que hoje possuo e de como enxergo variados acontecimentos com clareza.
"Quebrei a cara", me levantei, enganei e me enganei, apostei onde e o que não devia, me arrependi, acertei, perdoei e fui perdoada. Tudo isso por um motivo digno? Confesso que nem sempre. Não é necessário errar para aprender, para discernir certo de errado, cada um tem para si o que vale a pena experimentar e o que, emocional e espiritualmente, nada acrescenta. Não apoio esse clichê, relativamente recente, de desaprovar o arrependimento. Ao mesmo tempo em que possuo a idéia de que, sem meu passado, poderia ser alguém diferente hoje, sei que diferente pode significar "melhor": julgo sem piedade decisões que tomei - das quais muito me envergonho - e poderia ter chegado até onde me encontro através de outros meios, contudo, superei o que já foi e sei conviver bem com isso. Arrependo-me, mas me mantenho de pé e em constante movimento. 
Durante a rota que venho traçando, tive a belíssima oportunidade de conhecer pessoas que me doaram sabedoria, esperança, entusiasmo, proteção; não me importo se tenha ocorrido através de desventuras. Indo mais a fundo, destacam-se meus "relacionamentos afetivos", termo não inventado por mim, referente a namoros e semelhantes. Já pude me considerar alguém que supervaloriza essa área e que a torna prioridade, entretanto, qual o intuito de acreditar em não ser completo? Se aceitar, orgulhar-se e estar feliz sendo a pessoa que é, solteira ou não, tem valor maior do que perder o freio na busca pelo que não pode se encontrar desse modo. 
Acelerando o processo, joga-se fora a espontaneidade. Acredito, é claro, em ligações não materiais e amor, porém, não que alguém deva gastar esforço e bom senso procurando por isso: é o tipo de coisa que caminha junto ao merecimento de cada qual e surpreende: vai esbarrar propositalmente em você e fingir que foi sem querer. Ninguém pode escolher o que sente, muito menos, quando e como. Vale também para quando o anseio é por simplesmente não sentir. Por que se abalar pelo que deveria te tirar do chão? Não será possível doar-se a outro enquanto lhe faltarem pedaços e, o amor é uma verdadeira benção, afeto é incrivelmente especial, carinho não se tem por qualquer um, assim, aproveite o que é possível conseguir com estes e trate de reconhecer quando alguém, nem de longe, merece sua presença e preocupação. Real desgaste em vão é insistir naqueles que você só não quer aceitar que "não prestam". E o desejo de ajudar "a pessoa" a mudar? Não se pode mudar ninguém, não quando a vontade não parte dos dois lados. Cada um tem o poder de se salvar, não que seja adequado desistir de oferecer assistência, obviamente, mas não crie expectativas se sua intuição e mente afirmam que, a seguir, virá a decepção. Aprendi, infelizmente, do modo que mais machuca.
Se for carregar consigo essas palavras, lembre-se: seja grato, sincero (com si próprio e com o próximo) e procure sempre por aquela luz, ou seja, aquilo que faz bem a alma. Só aí é que os resultados tão aguardados virão ao seu encontro e, trazendo junto, o melhor dos sentimentos e pela pessoa que é "a melhor" para você. Quem "termina sozinho", o faz por opção.
Se não está dando certo, não permaneço estagnada. Peço por sabedoria para tentar com maior esforço ou largar e superar. Aconselho. Se tudo parece ir bem, cuido-me para que, se o que venero tiver que desabar, não seja por minha culpa. Pratique, pode confiar. Amplio minha visão, acrescento novos horizontes e adoro o céu. Tudo o que vai, volta e, por aquilo que transformou-se em antigos capítulos dessa história, me concentro no agora e seus reflexos.

6 de novembro de 2010

Imunidade ao que fere.

"Acorde, não perca tempo e vista-se. Hoje o dia pode ser melhor...", é o que declara aquela voz interior, voz que tenta, perseverantemente, me sacudir e indicar a direção certa. Voz que também, diversas vezes, prefiro manter trancada naquela velha gaveta escura: a das minhas desilusões. Esta não desistira de mim por mais que eu merecesse tal castigo. Sei que para a culpa que é só minha, valores menores não podem ser atribuídos mas, volta e meia, dou a mim mesma um desconto, não é fácil manter tanta e toda a dor em segredo.
O que vive em sigilo e me persegue, irremediavelmente, é capaz de turvar a visão que possuo da minha quase exausta intuição.
Perdi o controle, ultrapassei meus próprios limites e, a essa altura e velocidade, o que poderia me fazer parar se define como um vulto perdido pelo caminho que mal posso avistar. Este "o que quer que seja" não é reconhecido pelos resistentes que se dizem adversários em meu interior: razão e emoção, o que me empurra para frente e o que me submerge em passado. Cada lado procura degustar a vitória e, usando extraordinárias artimanhas, provocam a mistura de sensações que me mantém confusa e desnorteada.
A falsa solução é encarar isso como um novo desafio, algo a ser superado e que me presenteará com uma nova perspectiva, pois não basta fingir que não me importo, que não vejo e que não sinto, mas sim, não me importar, passar a não ver e, muito menos, sentir. Que tal  decisão não seja julgada como medo de sofrer. Sobre o verbo citado, aprendo mais a cada dia, já pela manhã. Assisto de camarote um show de hipocrisia, sou obrigada a caminhar em círculos se pretendo fugir de lembranças infortunadas, faço críticas cruelmente ignoradas - porque não se pode ajudar quem não quer ser ajudado- e presencio a transformação de pessoas, que vagarosamente passo a desconhecer, batendo palmas para o modo com estragam suas vidas, sua história e mentem para si mesmas.
Pretendo parar de mostrar que ligo para quem não merece mais isso de mim, uma hora será real, digo, quem sabe se, fingindo que também sou cega, passe a não enxergar? O tempo está passando e falta pouco, felizmente, para que eu possa tirar férias. Não me refiro apenas ao ano letivo, claro.

Aproveito e posto os selos que recebi, estou adiando há um tempo por falta de horas vagas: de acordo com o criador, Quincas "O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor á Web". 
Recebi este este do Doce Luar e agradeço de coração. O mesmo sinto sobre o indicado pelo blog Recomeçar
Repasso, então,  para alguns blogs que declaro merecedores: De adolescente para adolescente, Alívio imediato, Remember, By Heart ♥, Constelação dos sonhos, Simple words and feelings, decode into my lines, myself .

26 de outubro de 2010

Pormenores de um passado


Ela se perguntava pela acepção da palavra "facilidade". Diariamente. 

Foram 11 filhos e ajuda do marido. As horas eram determinadas pela posição do Sol. Quando a lua mandava saudações, o lampião poderia entrar em cena.Cuidado era preciso para evitar acidentes ao manejar o fogão a lenha. Como refeição, apresentariam-se o arroz, o feijão e o que mais fosse produzido em seu próprio pedaço de terra. Não existe conforto na divisão de uma cama por, em média, 4 pessoas, mas era preciso. Após essa etapa, todos poderiam abandonar, enfim, o cansaço de um dia inteiro para, dali algum tempo, retomar a batalha. Batalha pela sobrevivência.
A casa era pequena, menor ainda comparada ao terreno. Cada centímetro era bem aproveitado, o desperdício morava longe. Plantar, podar, colher e vender significavam mais que verbos: significavam um grande objetivo, cujo valor era medido através de manhãs e tardes gastando forças, física e emocionalmente, sob o sol que fazia arder e quase não se sentia. Reclamar seria um luxo. 
O banho poderia aliviar, se não fosse mais um desafio. A água nem sempre era aquecida (por meio do mesmo fogo que permitia a arte de cozinhar). A família compartilhava uma bacia ou canecas para auxiliar na higiene corporal. A limpeza das roupas se dava também com esforço, mas sem falta. Tendo orgulho de ser mãe e, querendo sempre o melhor para seus filhos, Irene nunca permitira que andassem sujos como se a preocupação não a acompanhasse. Estudaram até quando fora possível. O caminho até a escola não se adequava apenas a palavra cansativo e, ainda assim, era percorrido a pé. 
Cansativo também refere-se ao que enfrentaram durante a luta contra determinadas enfermidades. Epidemias se transformaram em grandes inimigos e atacaram sem medo de ferir. A persistência dos pais ficara evidente após a garra demonstrada pelos escudos utilizados nessa guerra. A defesa fora resistente o suficiente para provocar a desistência da catapora, que cobriu corpos infantis inteiros, deixando cicatrizes que ainda vivem, mas foi-se. Contra o sarampo preto (febre maculosa) reforços foram necessários, lê-se hospital. O pior ataque foi o da tosse comprida (coqueluche). Atingindo um dos filhos mais novos, manifestou-se em hora errada: em meio a estrada e um vendedor de laranjas oferece uma ao menino. A oferta fora inicialmente negada pela mãe, que apenas cedera motivada pela insistência pueril. Apesar do cuidado ao consumir a fruta, a falta de ar marcara os minutos seguintes. O garoto perdera a coloração da pele que, aos poucos, voltara... Um pouco diferente. Ficara praticamente azulado e com o corpo mole. Irene, tomada por desespero, gritava aos céus pedindo ajuda, agarrara o menino com força e obedecera sua intuição, colocando em prática seu conhecimento quase nulo sobre respiração boca a boca. Chegara a crer na derrota quando, para seu alívio, o filho voltara a respirar.
A família nunca deixara de estar unida e, juntos, escreveram péssimos e ótimos episódios. Já visualizando o ano de suas bodas de ouro, o casal mantém muito mais do que amor, afeto. Os onze que já não são mais crianças, encontram-se casados e são responsáveis pelo crescimento ainda maior dessa união: seus filhos somam mais que 20, chamam-se de primos e orgulham-se do passado, base de como hoje vivem sem grandes excessos.

Texto (verídico) escrito em homenagem a minha avó, seu aniversário, as histórias que me deu a oportunidade de conhecer e o que significam para mim.

19 de outubro de 2010

Reflexo em diferentes níveis.

Ontem: trabalho de literatura. Hoje: uma postagem a mais.


Entre a minha casa e a sua, há uma ponte de estrelas. Constituídas por recordações curiosas, sorrisos singelos, sentimentos e palavras (não) ditas, representam a relativa distância entre nós. Relativa pelo fato de estarmos tão próximos e, simultaneamente, ridiculamente afastados.
Tais astros refletem, ainda que seja dia, aquilo que incontáveis desentendimentos e ilusões não puderam aniquilar. Refletem nada mais que os primeiros detalhes compartilhados, a vontade insistente de caminhar de volta ao início e lutar contra barreiras invisíveis, construídas por orgulho e remorso.
Enquanto reina o Sol, por pouco não ofuscando por completo o brilho que mantém minhas esperanças, é praticamente inadmissível apostar minhas cartas nesse jogo. Como poderia arriscar atravessar uma ponte prestes a ser enquadrada na condição de pó estelar? Permanecemos estáticos, amedrontados. Duas crianças trancadas em suas respectivas casas.
Aguardo, quase sufocada por tamanha ansiedade, o cumprimento da Lua. Esta traz consigo a escuridão do anoitecer, que não vem deixando em evidência a simpatia, mas sim, destacando a imagem de uma extraordinária constelação, o que conforta meus olhos, as borboletas intoxicadas em meu estômago e indica o caminho até você. Observar pela janela da moradia já não me satisfaz, procuro abandonar o lado de dentro e, acumulando cada partícula de coragem em meu interior, de supetão, abro a porta.
A um disparo contra meu coração infortunado se assemelha o que sinto ao ver você, em frente a sua soleira, do outro lado. A ponte continua sem uso, ambas as partes não admitem ceder. Não é tão ruim, afinal, a contradição de sentimentos entre noite e dia e entre nós, viverá até que as estrelas se tornem faíscas, até que a fadiga nos domine. Prometo não me render.


5 de outubro de 2010

E eu esperaria,

e olharia as horas passarem em centenas de linhas separadas, mas eu recupero a compostura e me pergunto como acabei por dentro. (Panic at the disco - New Perspective)

Tudo se resume, agora, a esperar. Espero pelo sumiço do invisível que vive entre o nascer e o pôr do Sol, entre uma posição e outra dos ponteiros de um relógio, entre as diferentes marcas de um calendário qualquer, entre as mudanças de estação. Apenas espero, e cada vez com mais esperança, o passar daquele que dá sentido a si próprio: o tempo.
Fui intimada a fazer, deste, meu amigo e acredito que seja o melhor para mim. Estou disposta a respeitá-lo, afinal, não há outro modo de reencontrar minha felicidade. Por enquanto. Sou obrigada a simpatizar com a paciência e me ocupar com o que quer que seja, mas sempre na expectativa da chegada daquilo que este meu novo colega trará. Espero, assim, por nada além de seu "passar". Passe por mim, passe através, passe enquanto, passe além, passe afinal, passe para, passe como for...

25 de setembro de 2010

A place that we can run to...

... and do those things we want to, they won't know who we are.
Quando me encontro com a dor da sua partida, reconheço, então, a hora de me distrair. De me perder em algo novo talvez, visando me encontrar. Resolvi transformar teoria em prática e, enfim, agi. Sem reavaliar os motivos pelos quais tomei a decisão, apenas coloquei um chinelo de dedo, peguei o primeiro agasalho que avistei e as chaves de casa. Abri o portão e saí apenas com a certeza de que, quando cruzasse a porta novamente, haveria deixado toda a angustia acumulada há muito tempo do lado de fora, perdida em um lugar qualquer, sobre o qual prefiro não ter mais conhecimento.  O céu espelhando meu humor: nublado e, como parceria, o vento representando uma ansiedade esquisita e os pingos de chuva tocando o que não se resumia ao meu exterior. Fiz o mesmo percurso de sempre, caminhando devagar e aparentemente com calma. Atravessei a rua. E de novo. Pisei na calçada branca. Ah, aquela calçada branca... Mesmo molhada é a mesma, é a mesma depois de tanto tempo e inúmeras recordações. Quantas histórias já não tivera a oportunidade de escutar? Quantos passos, desesperados ou não, pudera constatar? O que, com toda a sua experiência, diria sobre mim naquele momento se pudesse falar? Quem sabe escolheria afirmar que eu estaria em busca de alguém ou da lembrança deste, já que, vendo agora com uma nova perspectiva, tal afirmação representaria um fato. Percebe-se que, na verdade, na tentativa de fugir e me descobrir, acabei me aproximando ainda mais do "problema". Muito mais do que me encontrar, meu coração precisava achar a pessoa a qual pertence e deseja em segredo.  Mergulhando por entre meus pensamentos e suposições, cada vez mais fundo, apertei o passo até avistar o local exato onde havia o encontrado com sua bicicleta há tempos atrás. Lembro-me da cena como se fosse recente, apesar de tentar apagá-la de vez em quando. Por um segundo, quase acreditei ser real... Ele estava parado ao meu lado, perguntando se eu estava bem, contando que não fora possível não se preocupar durante dias.  Senti a chuva engrossar e as gotas escorrerem por toda a minha face, como tristeza que se manifesta de repente. "Será possível que ele realmente não se preocupe mais? Ao menos um pouco?" Uma saudade tomou conta de mim. Continuei caminhando, prestando atenção nos detalhes, nos cheiros, no ritmo ao redor e, acima de tudo, reparei nas pessoas. O que levaria outros a sair durante uma tarde chuvosa para andar? Me confortou o sentimento de não estar sozinha, a possibilidade de alguém sentir o mesmo que eu e preservar lembranças tão preciosas daquela praça, enxendo a calçada de informações belíssimas. Me espantei com o poder da chuva em curar corações partidos e somente alguns possuírem sensibilidade para reparar... Procurei ignorar a areia que aos poucos percebi entre meus dedos, ignorei minha roupa se encharcando, ignorei posteriormente a angustia, ignorei fatos isolados e conclui que quando me encontro volto sempre à mesma pessoa, mas que me perdê-la dói demais. Talvez, mais do que eu consigo suportar. 
Ao chegar a minha porta, antes de encaixar a chave na fechadura, abandonei o que ainda restara de ruim em mim e decidi caminhar sempre que me deparar com a necessidade de tê-lo, já que tornar tal desejo realidade, pode nunca ser possível. 

31 de agosto de 2010

Justifico, agradeço, indico.

Tenho andado meio ausente em relação ao blog, não estive comentando e muito menos postando o que quer que seja. Peço desculpas por isso, agora já estou me livrando de distrações e vou voltar a entrar todo dia! 
Apesar da demora, não deixaria, é claro, de agradecer pelos selos que me foram indicados e é com muito carinho que os repasso para alguns que merecem ♥ (Carpe Diem, Simplesmente Bela, -be a girl., Undisclose Desires, Constelação dos sonhos).

• Este eu recebi da Ariana Coimbra, de Pensamentos em palavras. Não sei como não dizer que as palavras dela me confortam, que ela é ótima em transformar seus sentimentos em textos (que leio com muito animo) e que a admiro muito. Com certeza tem talento e vai longe. É um blog que realmente vale a pena visitar, falo muito sério. Obrigada pelo carinho!




• Esse e o próximo recebi do Rodolpho Padovani, de A arte de um sorriso. Aconselho a todos. Nunca encontrei um texto que não gostasse ou que pudesse dizer que precisa de alguns ajustes, sou fascinada pelo modo como escreve e me espelho em muito do que leio vindo dele. Agradeço de coração! Achei uma idéia legal também postar o nome da criadora do selo: Mandy, ou A menina dos olhos de mel


Sigo a regra e respondo:
• O que é mágico pra mim: 
Mágico é o que nos faz bem fisicamente, interiormente, espiritualmente. Mágico é o que nos faz evoluir, sentir, vibrar em harmonia, refletir.






• Mostrar uma imagem que acho mágica:
o pôr do sol , uma das minhas fotos :)

24 de agosto de 2010

"there is one thing I can never give you,

 my heart will never be your home" oasis- stand by me


Apenas me entende quem sabe como é se sentir assim. Possuo um vazio e não acredito que haja resposta para preenchê-lo. Pelo menos, não por enquanto. Sei que esse texto soa como um pedido de ajuda, que coloco essas palavras no papel para tentar amenizar o que ecoa e arranha meu interior, porém, não encontro forças para apostar que tudo vai se acertar em mim.
Como faço para capturar um sentimento que não me habita? Quero dizer, eu realmente gostaria de me sentir completa, não sou capaz de me obrigar a transformar minha maior insegurança na mínima sensação de certeza.
Gostaria mesmo de pensar, ao menos uma vez, que sou o suficiente para quem amo. Queria poder dizer a mim mesma que completo-o como mais ninguém e que os sorrisos e olhares pertencem a mim. É horrível e uma grande repressão quando se enxerga que a pessoa que está ao seu lado deseja o que você nunca poderia oferecer.
Respiro essa angústia. Vivo uma injuria fingindo que estou bem quando, na verdade, peço constantemente para forças maiores a realização de morar no coração de quem desejo, dar-lhe as maiores alegrias, cores e motivação, fazê-lo acelerar ou quase parar, se conveniente.
Quando deito a noite, não me esqueço de que melhor seria não me lembrar daquele "alguém", mas algo insiste em me fazer pensar e então, me perco. Me perco (por tempo indeterminado) em minhas teorias, sonhos, medos e, por fim, mergulho em minhas fraquezas. Essa é a parte em que dou de cara com um nada, um lugar escuro e perdido que sou obrigada a frequentar diariamente: o vazio de não poder dar amor e completar quem amo.

17 de agosto de 2010

Um novo compasso, um novo lugar.



Meu coração se acalma. O ritmo das batidas diminuiu, diminui... Diminui, como a melodia de uma canção agitada querendo fugir do tempo. O compasso foi quebrado, talvez esteja prestes a conhecer um novo.
Gosto do lugar onde me encontro. Sua simplicidade me surpreende. Não é muito grande e nem pequeno, é ideal. Não sinto a presença do frio, não sinto a presença do quente, quase não sinto minha própria presença. O único sentimento que ocupa o local era desconhecido por mim até então. Descrevo-o como sendo uma quase paz. Quase, pois aqui ainda circulam lembranças suas. Quando bate uma brisa, mesmo que praticamente imperceptível, aprecio o jeito com o qual elas dançam no ar, brincam, se contorcem, desdobram-se, mudam de cor, caem ao chão. Me encanto com o espetáculo, não deixando passar despercebido qualquer ponto de vista. De vez em quando, uma ou outra me desconfortam. Não dura muito, afinal, diversas outras me cegam com sua magia. Palavras são incapazes de descrever tamanha beleza.
Não sei, ao certo, onde onde estou. Não sei, também, onde você está. Sei, apenas, que aqui é exatamente onde desejo ficar.

11 de agosto de 2010

"You could love me if I knew how to lie ,

... but who could love me? I am out of my mind, throwing a line out to sea to see if I can catch a dream"


Me pergunto se é isso mesmo que você quer, se esse impasse lhe faz bem de verdade. Afinal, sempre tive em mente que se esconder não é uma boa saída, apesar de confortante. Melhor dizendo: esconder-se não é uma saída.
Gostaria de olhar diretamente para os seus olhos e dizer, friamente, que você aprendeu a se acomodar mentindo para si mesmo (não chegará a lugar algum). Não falta coragem para fazê-lo, pelo contrário. Tentei ser sincera na última vez em que nos falamos, aliás, fui sincera mas, a essa altura me sinto cada vez menos estável para ter uma conversa sem perder o controle sobre mim mesma. Posso admitir, então, que você me tornou vulnerável. Posso admitir, também, que conto nos dedos as vezes em que isso aconteceu durante a minha vida.
Como você se sente ignorando tudo entre nós? Será que é prazeroso apagar cada detalhe? Devo considerar correta a sua decisão que lhe torna forte e me enfraquece dia após dia? Fui eliminada da sua vida, posteriormente, de você. Mal posso ter minhas perguntas respondidas, pois a oportunidade para tal me foi tirada. 
No fundo, eu amo mesmo você e, mesmo não lhe retribuindo de igual forma, não significa que não senti e não sinta nada. É fato que sua ausência me machuca, muito. 
Avistar-te e fingir que não existes é algo que eu ainda sou incapaz de fazer. Mudarei apenas porque tua vontade me "obriga". 
Tenho grandes expectativas, ainda que pareça em vão, de uma volta. De que você volte a me tratar com o respeito e cuidados que, alguém que um dia lhe fez muito bem, deveria merecer. Para não se esquecer, repito que não há outro como você em meu pensamento. O que algum dia foi completo, hoje sofre pelo vazio que o habita.

14 de julho de 2010

Carta para um alguém ♥

Querido o que quer que seja meu, Se você quer saber, eu sinto falta do tempo em que tudo começou. Desde a primeira vez que eu te vi, eu gostei de você, não sei bem o motivo, mas eu soube que a gente podia se dar muito bem, é o tipo de coisa que se pega no ar e, quando acontece, nos deixa muito melhor! Desde a nossa primeira conversa, eu quis muito ser sua amiga, digo, não uma amiga qualquer, eu desejei que um dia pudesse ser aquela amiga, que a gente pudesse compartilhar os medos, anseios, passado, madrugadas, felicidades e tristezas. Não conseguia tirar os olhos de você, podia ser algo no seu sorriso, no seu cabelo engraçado, na sua voz, no seu cheiro. Se quer saber mais, quando você segurou a minha mão pela primeira vez, senti aquele frio na barriga, um gelo no coração e a maior felicidade do mundo. Continuamos caminhando de mãos dadas, e aí, eu já imaginava se pudesse durar até a porta de casa. "Será que vai dar em alguma coisa?" - pensava. Naquele minuto, torci por um sim. E para minha nem tão surpresa, continuei torcendo durante noites, até que me peguei pensando em você durante as manhãs entediantes na sala de aula, durante as tardes também, as noites com as amigas, e aí, você já sabe: me questionei se isso podia ser mais que uma amizade, e mais que isso, se significaria algo pra você também.  Se quer saber mais ainda, no início não queria me envolver com ninguém, e nem sei se podia, mas o tempo foi passando, nossas conversas diárias ficando cada vez mais íntimas (mesmo sem muito assunto porque eu nunca sei direito o que falar sem parecer uma boba), eu te querendo cada vez mais e acreditando que você sentia o mesmo, até que, enfim, aconteceu. Nos vimos num dia como outro qualquer e, na hora da despedida, o que era um beijo na bochecha virou um "beijo de verdade". Foi pra mim a confirmação de tudo o que estava acontecendo, ia valer a pena, e muito! Por vários dias, foi verdade pra mim. Agora eu queria, com todas as minhas forças, você toda hora comigo. 
Pra você entender, lembre-se que é claro que nem todo final é feliz. É, houve um porém. Por te conhecer bem, soube das coisas ruins da sua vida, dos seus erros, da suas imperfeições, do que você fazia de mal, e ainda, que você não iria mudar por mim por mais que me dissesse o contrário. Eu tive medo de me apaixonar cada vez mais e ser iludida, de acabar desamparada e precisando mais da sua presença, me apavorei e quis não sentir mais nada! Quis sumir e te tirar de mim, então. Quando pediu o sério e torceu pelo meu sim, eu escolhi o não.
Pra você entender melhor ainda, eu sei que posso ter errado. E feio. Como poderia ficar bem sendo só sua amiga, se sei que tive oportunidades pra outras coisas e no fundo, gostaria de ser mais que isso? Posso ter feito também a melhor coisa, mas fui covarde por não tentar. Me culpo por ter me afastado, ou te afastado de mim, como queira. Me culpo por não poder te dizer o que sinto. Me culpo por não saber onde você está agora e o que estaria fazendo. Gostaria de poder voltar a atrás ou, ao menos, fazer você voltar atrás.  Se quer ler mais, tenho que dizer: te quero(de volta), sinto sua falta. Demais. 
Querido alguma coisa meu, se estiver lendo isso, saiba que eu gosto muito de você, e se há uma coisa pela qual eu não me arrependeria de forma alguma, é ter conhecido você.
"Eu gosto tanto de você Que até prefiro esconder Deixo assim ficar Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça E não tem a menor obrigação de acontecer"
Com amor,
 Querida alguma coisa sua .