12 de maio de 2014

Ontem

Foi esse o motivo da minha tristeza, nem tão inesperada, de ontem a noite: o próprio ontem.
Por ter marcado um encontro com aquelas fotos de 2012, me deparei também com muitas das coisas que perdi pelo caminho. Caí, em seguida, num estado de perturbação que me motivava a construir um quadro mental de 5 itens do meu passado que gostaria de resgatar:
1) Já fui mais comunicativa;
2) Tolerava por menos tempo coisas que evidentemente são prejudiciais;
3)
4)
5)

Alguns pensamentos simplesmente não são tão conscientes assim. O que me deixa triste, na verdade, é saber que características boas minhas talvez se percam,  mal sei quais são elas e, realmente, não sei como impedir ou dificultar esse processo. Não me esqueço que a mudança é algo natural, bem sei que melhorei na maioria dos aspectos, amadureci. Contudo, o que sinto não é simplesmente nostalgia, mas sim, uma vazio, uma falta... Uma decepção em admirar meu eu antigo e não entender o porquê de admirar esse novo.


9 de março de 2014

40 Oz. to Freedom

O desenho que fiz com carvão ontem vai se apagando. Estou no meu quarto ouvindo minha mais nova lista de reprodução, depois de passar o dia todo sentindo o poder de mudança da música e do tempo. Claro, primeiro da música e depois do tempo. 
Aqui no meu canto, no meu melhor posto de observação, me apaixono pelos solos, pelos ritmos ("Lista das Boas Energias") e pela arte inteira de ouvir-cantar-respirar. Me apaixono ainda mais enquanto tomo nota e gravo esse momento de vida, que é mais que só uma transição. A partir de agora entendo que cada segundo é a transição, porque as escolhas de vida simplesmente se escondem nesses segundos (que muitas vezes perdemos por não nos apaixonarmos). 
Por isso, olhando para as variações de cor do Media Player, ao som de Sublime, amo esse tal presente, que não me permito perder.
Precisamos pensar na música e só depois no tempo...


12 de fevereiro de 2014

Arte de morrer

Por muito tempo conservei uma ideia: o medo da morte. Um tanto persistente.
Tentando mergulhar na profundidade do que é o "ser", improvável seria não questionar seu oposto. E mal conhecemos qualquer um. E, mal conhecendo, nem mesmo sabemos o que seria o conhecer.

Imaginava o escuro, preto. Sem fim. Distante, comprido, terrível como nada. Simplesmente o "nada", o famoso. E, então, vem o medo por, na verdade, não conseguir imaginar. Vem o terror em ser limitado (e "ser", de novo).
Nada.

Mas não há forma de escapar quando o temor é só uma cortina, e não uma fuga.

Entendi e andei pensando que respirar cansa, porque cansa respirar o mesmo ar que tanta gente. Às vezes da vontade de não ter mais que aceitar e engolir besteira, muito menos, propagar qualquer coisa.
Talvez eu goste do descansar, caso exista o descanso. Creio na hipótese de vida como um estado fixo e, assim, apenas na "morte" corporal. Mesmo assim, a morte deve ser especial.
Talvez simplesmente tenha compreendido que caminhamos para ela: inevitavelmente de braços abertos para um dos abraços mais apertados...



12 de janeiro de 2014

(Amor)eno.

"a rosa pra ser rosa, precisa de sereno;
o amor pra ser amor, precisa ser moreno."

Precisa ser moreno como o frio que vem com o entardecer, que não é maior do que o frio que se sente no estômago pela primeira vez. No crepúsculo é a vontade de se esconder do mundo e deitar de costas sobre a relva, ao lado da barraca que montamos ao amanhecer, pra espiar o alô mais moreno que a escuridão da noite vem pra dar. 

E, quando fica escuro, a fogueira aquece a comida, aquece a canção dos amigos e, depois, o corpo de quem fica junto na madrugada, que também é muito morena. 
O silêncio que sobra é o ruído harmonioso da natureza, servindo de trilha sonora para os que ainda cochicham e dividem o calor de um longo abraço depois que o fogo se apaga. Daí, moreno mesmo é puxar um cobertor e se encaixar dentro da barraca. Logo o sol avisa que quer nascer e vai, de mansinho, despertando quem ainda tem energia pra se encantar.

Enfim, aparece esse moreno no horizonte, iluminando o cenário de uma peça que não pretende acabar. Os olhos, que timidamente se abrem, são de todas as cores do mundo e sorriem sozinhos. Alegram-se ao lembrar que agora, num riso só, guardam a lembraça de tantos amores. Os mais morenos amores. 

Moreno não é "deixar pra lá", moreno é saber se libertar.




24 de dezembro de 2013

Cama de pregos

E na escuridão, voltei caminhando pra casa. Voltei pro único lugar que ainda pertencemos quando os nossos sonhos não mais podem pertencer a nós mesmos. A noite tentava preencher com algo meu coração que se gelava e o vento tentava levar embora tantas recordações passadas (só pra ajudar doer um pouco menos)... Não pude me deixar ligar, não pude contestar. 
Não encontrei corda, não encontrei apoio ou, ao menos, a beira de um penhasco pra conseguir me salvar da queda. É como um daqueles sonhos em que você acorda logo antes de dar de cara no chão, só que eu não pude mais acordar. Já dizia o “Grilo Falante”: Não dá pra fugir da cama que a gente monta...

Nós tínhamos ido longe demais. Nós já tínhamos nos tornado insustentáveis há tempos - e há tempos em que só isso consegue transparecer. É claro que eu já sabia o final dessa história, mesmo tentando esquecer. Contudo, esse foi um dos motivos pelos quais eu antecipei minha reconstrução pessoal: não havendo mais nada pra questionar, me coloquei simplesmente a empacotar meus pertences restantes e a encaixar de novo cada pecinha do quebra-cabeças que eu sei que sou. 
Dessa forma, não deixa de ser difícil, mas a vida me lembra que preciso escalar de volta à saída desse abismo, e é pra lá que eu já estou indo...


Poema por Erica Vittorazzi, do blog Adoro Palavriar:
Você me bagunça
Descobri que você será uma ferida aberta em minha alma.
Uma palavra que sempre se repetirá porque não cicatrizou.
 E não importa o que eu sou/fui em sua vida. Se falta, saudade ou desprezo.
Nunca nos saboreamos,
Portanto, nunca saberemos
Sobre aquilo que nos padece.